Muitos usam a justificativa da busca pela felicidade para serem vagabundas. Eu pessoalmente odeio esse tipo de pensamento. Não porque eu não ache que a gente não possa buscar seu lugar ao Sol, mas porque tem gente que acha que está no mundo para consumir tudo que ele tem a oferecer. Tudo bem se você acha que essa coisa de estudar, trabalhar e ganhar dinheiro uma bitolagem imposta pelo nosso sistema, nossa organização social. O que eu acho inaceitável é que a grande maioria das mesmas pessoas que criticam isso se acham concedidas do Direito Divino (!) de aproveitar o logro da civilização.
Vou me deixar mais claro, apesar de isso não ser uma constante. Você é um ser humano, nasceu e cresceu numa sociedade que se preocupa em correr cada vez mais rápido para acompanhar o mundo. Toda essa cobrança é realmente aborrecedora e, sob alguma reflexão, também sem sentido. Então você decide não fazer parte disso. Você decide que o importante é aproveitar o máximo da vida e aproveitar as possibilidade que ela oferece. Até aí, eu também acho que você chegou numa resolução bastante satisfatória.
Mas voltando a minha linha de raciocínio original, se você quer abdicar das responsabilidade que o sociedade exige, o mesmo deveria se dar para o que ela produz. O que eu mais vejo por aí é gente com um discurso bonito e aplaudido sobre Carpe Diem, mas não quer bater um prego numa barra de sabão! Multidões de pessoas inconsequentes que se negam a estudar, trabalhar, ajudar as pessoas, só pensam em si próprias, só vêem os seus próprios umbigos. Mas mesmo assim eles querem telefone celular, querem seu carrinho, Playstation 3, querem roupas da moda, tomar sua cerveja/whiskey, escutar sua banda preferida, comer fast-food, plano de saúde etc. Acontece que todos esses bens são fruto da nojenta sociedade bitolada e exploradora.
Um que se encaixe nessas características muitas vezes tem um discurso hipócrita sobre como cientistas são idiotas ou loucos que só vivem para estudar. Ou como alguém que trabalha duro não pode aproveitar a vida. Ou sobre como logaritmo não serve pra nada na prática. A verdade é que serve, sim. Muitas coisas belas são feitas com isso. Por exemplo, para existir seu celular bonitinho que você gosta de ficar mostrando pra seus amiguinhos como é legal, algum tempo atrás algum cientista "otário" estudou a teoria dos números complexos para desenvolver a eletrônica.
Enfim, é comum para quem não quer fazer parte dessa Máquina Social, usufruir do seu produto e ainda ter a ousadia de criticar quem está nela. E é por isso que sou irredutivelmente um crítico desse tipo de gente, que infelizmente não são poucos.
Enfim, me chamem de ser humano amargo por causa desse texto. Mas chega uma hora que um homem tem que dar à Máquina o que ele suga dela. As grandes melhoras na qualidade geral de vida das pessoas vieram e continuarão a vir da inovação tecnológica, das revoluções culturais favoráveis à educação e de toda pessoa que contribue imperceptivelmente, fazendo a roda girar. Enfim, a humanidade vai seguindo. Ainda teria muito a escrever das minhas convicções pessoais sobre o tema (por exemplo uma análise histórico-filosófica sobre o Trabalho), mas encerro esse post já longo citando Dan Quayle: "The future will be better tomorrow".
domingo, 30 de agosto de 2009
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concordo,você esta certíssimo ^^
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