segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Algoritmos gulosos

Em Ciência da Computação, um algoritmo guloso é usado em problemas de otimização. A idéia é ir em direção à solução ótima global fazendo escolhas que parecem serem as melhores no momento, no âmbito local. Muitas vezes acontece de eles encontrarem uma boa solução ou mesmo a ótima em algumas instâncias de certos problemas. No entanto, isso não é sempre verdade. Enfim, não que isso concerna ao assunto sobre o qual eu quero falar agora.
Essa coisa de tradução sempre me incomodou. Arrisco que em algum momento do passado, um matemático foi altruistamente traduzir para o nosso lindo Português um artigo sobre conceito que acabara de ser descrito. Obviamente esse matemático tinha algum problema referente à sua lista mental de pecados capitais e sua devida tradução para o idioma britânico. E foi assim que hoje, na terrinha, conhecemos Greedy Algorithms por Algoritmos Gulosos. Deixe eu atentar pro fato que, no inglês, os pecados capitais da gula e avareza (ganância) são respectivamente glutonny e greed. Ou seja, alguém por lá decide chamar um conjunto de algoritmos de gananciosos e o sujeito aqui resolve traduzir para gulosos e o termo pegou!
O pior de tudo é ter que ver um(a) professor(a) da universidade que você estuda, numa aula sobre Prim ou Dijkstra, fazer mímica de menino comendo papa quando vai falar sobre algoritmos gulosos. Em falar nisso, tenho que lembrar de escrever em breve sobre sugestão subliminar. Enfim, isso me aborrece. Talvez o tradutor original tenha achado politicamente incorreto a tradução livre do inglês para ganancioso, mas sua falta de hesitação me livraria da imagem do menino comendo papa.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pra que serve logaritmo?

Muitos usam a justificativa da busca pela felicidade para serem vagabundas. Eu pessoalmente odeio esse tipo de pensamento. Não porque eu não ache que a gente não possa buscar seu lugar ao Sol, mas porque tem gente que acha que está no mundo para consumir tudo que ele tem a oferecer. Tudo bem se você acha que essa coisa de estudar, trabalhar e ganhar dinheiro uma bitolagem imposta pelo nosso sistema, nossa organização social. O que eu acho inaceitável é que a grande maioria das mesmas pessoas que criticam isso se acham concedidas do Direito Divino (!) de aproveitar o logro da civilização.
Vou me deixar mais claro, apesar de isso não ser uma constante. Você é um ser humano, nasceu e cresceu numa sociedade que se preocupa em correr cada vez mais rápido para acompanhar o mundo. Toda essa cobrança é realmente aborrecedora e, sob alguma reflexão, também sem sentido. Então você decide não fazer parte disso. Você decide que o importante é aproveitar o máximo da vida e aproveitar as possibilidade que ela oferece. Até aí, eu também acho que você chegou numa resolução bastante satisfatória.
Mas voltando a minha linha de raciocínio original, se você quer abdicar das responsabilidade que o sociedade exige, o mesmo deveria se dar para o que ela produz. O que eu mais vejo por aí é gente com um discurso bonito e aplaudido sobre Carpe Diem, mas não quer bater um prego numa barra de sabão! Multidões de pessoas inconsequentes que se negam a estudar, trabalhar, ajudar as pessoas, só pensam em si próprias, só vêem os seus próprios umbigos. Mas mesmo assim eles querem telefone celular, querem seu carrinho, Playstation 3, querem roupas da moda, tomar sua cerveja/whiskey, escutar sua banda preferida, comer fast-food, plano de saúde etc. Acontece que todos esses bens são fruto da nojenta sociedade bitolada e exploradora.
Um que se encaixe nessas características muitas vezes tem um discurso hipócrita sobre como cientistas são idiotas ou loucos que só vivem para estudar. Ou como alguém que trabalha duro não pode aproveitar a vida. Ou sobre como logaritmo não serve pra nada na prática. A verdade é que serve, sim. Muitas coisas belas são feitas com isso. Por exemplo, para existir seu celular bonitinho que você gosta de ficar mostrando pra seus amiguinhos como é legal, algum tempo atrás algum cientista "otário" estudou a teoria dos números complexos para desenvolver a eletrônica.
Enfim, é comum para quem não quer fazer parte dessa Máquina Social, usufruir do seu produto e ainda ter a ousadia de criticar quem está nela. E é por isso que sou irredutivelmente um crítico desse tipo de gente, que infelizmente não são poucos.
Enfim, me chamem de ser humano amargo por causa desse texto. Mas chega uma hora que um homem tem que dar à Máquina o que ele suga dela. As grandes melhoras na qualidade geral de vida das pessoas vieram e continuarão a vir da inovação tecnológica, das revoluções culturais favoráveis à educação e de toda pessoa que contribue imperceptivelmente, fazendo a roda girar. Enfim, a humanidade vai seguindo. Ainda teria muito a escrever das minhas convicções pessoais sobre o tema (por exemplo uma análise histórico-filosófica sobre o Trabalho), mas encerro esse post já longo citando Dan Quayle: "The future will be better tomorrow".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Determinismo

Eu acredito no determinismo. É meio contraditório continuar mesmo sabendo que existe algo por trás da sua cognição e decisões. Sua personalidade é um produto dos pequenos componentes que lhe compõe. É tudo mecânica quântica (ou qualquer outro sistema que o rege). Isso nos leva a alguma discussão existencial e/ou ética. Se alguém te dá um tiro, ele pode alegar que é culpa das suas moléculas, tudo culpa do meio. É uma bela desculpa pra se ausentar de responsabilidade pelos atos. No entanto, da mesma forma, podemos culpar o mesmo determinismo pela nossa ânsia de punir pelos atos que consideramos incorretos. Essa regra pode se estender facilmente pra toda a situação e nos justificar indefinidamente contra a realidade desoladora do determinismo, mas não seria uma auto-enganação? Apesar de a auto-enganação ironicamente poder ser justificada também da mesma forma apelativa, ainda sobra uma ponta de questão não-respondida. Será?

Aviso ao amigo Bolinha, que se a linha opinativa continuar a mesma, serei obrigado a censurá-lo em breve. E ainda digo pra botar na conta do determinismo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Marca moral

De alguns dias pra cá, eu tenho pensado que ser mentiroso teria valido a pena. Eu estou pagando o preço da minha tranquilidade por ter falado a verdade, por ter me negado a usar uma falsidade que nunca seria detectada. Com o coração na mão o tempo todo, mas tentando transparecer. De toda forma, eu ainda pretendo continuar assim. Confio que isso ainda vai me premiar um dia, mas desejaria que fosse em breve. O tempo é um inimigo nessa hora, principalmente quando você é intimado a ser um mero observador.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Título novamente em construção

Achei engraçado eu não ter com o que nomear um post meu anterior. Percebi que para muitos deles no futuro, eu também não vou saber nomeá-los. Usei o recurso da auto-referência para nomer este espertamente, mas seria maçante eu continuar usando a mesma estratégia continuamente no futuro. Por isso, estive pensando em bolar uma solução científica para esse problema. Uma primeira e ingênua abordagem seria usar descaradamente a expressão regular "Título [novamente] em construção" para todos os textos de informação dúbia. Uma função de avaliação ideal (oracle(post)?) iria nos mostrar que isso é tão assintoticamente maçante quanto usar do recurso da auto-referência citado inicialmente.
Uma segunda tentativa seria estender o título com um contador. Ex: "Título [novamente] em construção 2". Essa abordagem já se prova mais poderosa do que a anterior, pois pode ser usada como ferramenta para o blogueiro e para o leitor, permitindo estes terem uma estimativa do número de posts presentes no blog sem necessidade de contagem. Claro se dada a relação de posts com título ou não. No entanto, essa alternativa se mostra falha devido a constante evolução de perícia do escritor, que seria eu. O tempo escrevendo amadureceria minhas idéias, e com o tempo me seria cada vez mais fácil escolher um título adequado. A função de número de posts atitulados pode ser aproximada a uma curva logarítmica. Evidências me fazem acreditar que a assíntota horizontal é a constante 34. Num momento bem no futuro, tentarei dar um título a algum post dúbio e esbarrarei no problema de rolar páginas antes para descobrir qual era o n anterior haja visto que a frequência é descendente. No tempo infinito, eu precisaria rolar infinitas páginas para isso! Inviável...
Uma terceira e mais construtiva abordagem seria definir o título com alguma idéia curta, auto-contida e com a qual simpatizo, mesmo esta não tendo relação direta (ou indireta) com o conteúdo abaixo. Dessa forma, consigo escrever duas idéias soltas no lugar de uma, que apesar de não passar de uma heurística, é uma idéia agradável. Pois está será a abordagem utilizada até segunda resolução e este é a priori o último post com título contendo auto-referência.

No mais, fiquei feliz recentemente em saber que já tenho leitores. E que pretendo fazer, por pedidos encarecidos, alguma tentativa (antecipadamente malograda) com versos livres num futuro breve.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sanidade

Há algum tempo atrás eu tinha convicção que a sanidade mental era um estado de consciência puramente controlável. Em outras palavras, você só ficava doido se você se deixasse. Hoje em dia, eu vejo que não é por aí. Infelizmente, eu até diria. Um pequeno abalo nas emoções te levam como um tolo a pensamentos e ações ilógicas. Juntamente com o efeito degradativo do tempo sobre o nosso sistema nervoso, acho inevitável a lucidez não se esvair (esvairir?) num certo momento do tempo. Algumas pessoas tem a sorte de se irem antes que esse processo começa, mais sorte tem ainda as que se vão lúcidas mesmo depois de muito tempo. Para estas, imagino se é produto de uma auto-disciplina e fixação à sua própria identidade, ou simplesmente uma sorte maior do que aqueles que chegam ao final da vida sem reconhecer seus pares. No entanto, e eu não sei dizer por que, nem me arrisco com qualquer teoria, nenhum efeito é tão devastador à longo prazo a lucidez como o conhecimento.
Bem, eu ainda torço pra que minha convicção do passado seja verdade. Apesar de a experiência de passar duas horas debaixo do Sol e ter surtos com outras perspectivas sugerir o contrário. 3º post, homenagem ao meu amigo Lucas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Título em construção

Tem hora que você realmente perde o controle da situação. Antes de entrar em desespero, é recomendável se acalmar e retomar as rédeas. É muito forte o laço de tomar pra si a responsabilidade pela felicidade de alguém. A auto-consciência dos defeitos me faz achar que eu não sou apto para a tarefa. Em um mundo onde o sentido da vida é simplificado a uma busca por felicidade pessoal, me impressiona a ousadia das pessoas em carregar essa responsabilidade, sendo ela primordial, pois a gente está falando de um vida. O homem (espécie) é adorável nesse sentido, entretanto, inconsequente.
Não sei em que momento da história a felicidade virou o carro-chefe da civilização. Esse Elixir, dizem que por muito poucos provado, não tem um estado permanente na alma humana. Sempre somos absorvidos por um novo anseio, uma nova insatisfação. É uma conclusão tão simplista quanto a que devemos ser felizes. Tanto melhor, o mundo não tem tempo pra parar e rever seus conceitos, não mais.
Concluindo, felicidade pessoal é, independente da nobreza da busca, egoísta. Certamente não é algo para se repreender. Infelizmente no mundo, isso é muitas vezes o suficiente uma desculpa para destruir e magoar. Aquele velho papo do limite de cada um termina onde começa o do outro. O lado bom é que a maioria das pessoas ainda concorda intuitivamente que a felicidade deva ser compartilhada, o que faz o mundo um lugar, no final das contas, bom.
É requerido do leitor a capacidade de captar a intenção do autor em meio a um texto desconexo. Obviamente, isso abre margem pra todo tipo de interpretação, o que é bom.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Apresentação

Por que desestrutura? Bem, nem todo mundo tem o dom da coesão textual. Sei que todo mundo fala que é importante essa coisa de texto que apresente seu conteúdo de maneira direta, clara e estruturada (se possível). Devo concordar inclusive, mas nem todo ele precisa disso e eu não estou falando da redação do ENEM. Não precisa disso aquele que não necessariamente deseja comunicar, mas brota simplesmente da vontade de escrever.
Como os pensamentos que vem à tona à mente e não obedecem a qualquer estrutura. Muitos deles se perdem e eu fico imaginando quanto do conhecimento humano se esvai juntamente porque nós não deixamos registrados as nossas idéias fisicamente efêmeras. É chato inclusive perceber quanto eu estou pensando agora e não consigo a tempo passar tudo pra cá. Uns vão reparar que as idéias escritas aqui não terão relação direta com o que foi escrito imediatamente antes.
Nem todo mundo nasce com o dom da poesia. Apesar de não acreditar nessa coisa de dom, acho mais fácil me expressar e me justificar dessa maneira. Talvez o meu anseio por escrever fosse melhor provido pela poesia, mas com a má-fluência que eu tenho com esse tipo de construção, isso me limitaria de expressão. Como opinião pessoal, com o início do Modernismo, eu não vejo mais por que poesia.
Enfim, só pra um apresentação menos abstrata, alguma informação pessoal do autor, que acontece de ser eu: sou um defensor da Ciência, não somente como um meio, mas como um fim. Adoro auto-referência e uso abusiva e/ou inoportunamente. Mesmo pra sarcasmo. Gosto de gente que sabe que o homem já foi a Lua e, (a parte interessante) indepentente de ter ido ou não de fato, sabe também o que isso significa. E leio www.xkcd.com regularmente e devo linká-lo sempre que a situação permitir.
Ou seja, sem reclamações sobre coesão e/ou coerência do que eu escrevo. Espero que meus pensamentos encontrem os de alguns que eventualmente lerão isso. É um prazer dividir o que tenho a escrever, tenho esperança que adicione algo a alguém. E vou parar por enquanto de auto-referência, isso fica cansativo com o tempo.

Até.