quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Série: o que eu conseguiria dizer no Twitter

Já que sou prolixo, só venho por meio deste informar que não tenho mais espaço pro resto da informação...

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Publicidade - parte 3

Auto-sabotagem é aplicável a uma campanha publicitária de sucesso. Pelo menos em algum universo paralelo. Talvez efêmero, mas bom enquanto durar. É possível elaborar uma estratégia que a torne renovável com o tempo? Respondendo categoricamente, não sei. Sugestões?
Introduzindo agora um novo conceito, este com um intuito bem mais inocente, unrelated teasing é se aproveitar de um tema de maior interesse do seu público-alvo (idealmente um superconjunto próprio), sem relação com o seu produto, para veicular a notoriedade do tema chave ao seu peixe. A exibição de conteúdo não relacionado serve para atiçar a primeira atenção do indivíduo, que, interessado, voltará sua concentração para aquele conteúdo e passa a consumir o SEU conteúdo publicitário que estará de alguma forma inserido ao redor daquele. Bem simples, aparentemente efetivo.
Fazendo o papel de autocrítica, mostrando capacidade de auto-reflexão e falta de hipocrisia. Há um problema nisso tudo: espaço para anunciar custa caro. Dedicar parte do seu espaço para unrelated content, e ainda correndo o risco de não ser visto ao redor dele, parece um pouco um tiro no próprio pé. O direcionamento mais eficiente ao conteúdo adjacente passaria agora a ser uma arte, uma ciência a ser considerada. Mas considerando uma boa taxa de sucesso, você ainda tem um espaço reduzido para se mostrar. Realmente, à primeira vista, você está concorrendo consigo mesmo por notoriedade. Mas se o apelo do unrelated content for realmente forte, a perda pode ser compensada. Muitas vezes, independente de quão bom seu produto é, um anúncio só mostrando ele não chamaria a atenção tanto quanto um tema mais interessante para o público geral.
No fim das contas, uma análise de viabilidade e risco refutaria, como tem refutado até hoje, o uso prático de estratégias ousadas e, por assim dizer, exóticas em campanhas publicitárias. Isso se estende pra diversas áreas, há sempre esse tipo de resistência a mudanças no consolidado. Estou confessando que propus essas novas idéias mais como uma expressão de insatisfação com a situação atual e engessada da área. Tudo a mesma coisa. Seguindo a máxima do "se está reclamando, faz melhor", elaborei algumas teorias, propus soluções. São ponderáveis? Talvez não. Mas acho importante que se ocupem as mentes das pessoas para pensarem em soluções pras coisas que estão erradas. Mas ninguém aí mais sente que há algo errado? E não é se restringindo a algum ramo específico.

domingo, 20 de setembro de 2009

Publicidade - parte 2

É fantástico de como as pessoas procurar prestar satisfação às outras do que elas consomem. Quero dizer, muitas vezes consumimos determinado bem de uma determinada  marca para ostentar uma imagem perante os pares. Às vezes para não parecer tolo, às vezes para lubrificação social. O fato é que as pessoas sentem que há uma cobrança sobre a qualidade do que se tem e qualidade é associada à imagem. Duas perguntas. De onde parte a cobrança? E será que as pessoas se importam mesmo com a imagem ou a própria cobrança, onipresente e sem origem certa, que os faz cobrarem transitivamente?
Mudando de assunto. Como eu falava num texto anterior, autopromoção, diferente de divulgação, não é um requisito estritamente necessário da publicidade. Pausa para apedrejamento. Tomando a próprio benefício o simpático e envolvente apelo do sarcasmo, é possível direcionar para certos grupos, públicos-alvos, de maneira eficiente uma propaganda bem sucedida à base de auto-rebaixamento. Falar mal de si propriamente. A campanha teria a primeiro momento, uma grande visibilidade pelo seu cunho desafiador e quebra de paradigma. Direcionada a um público-alvo capaz o suficiente para detecção da ironia do conteúdo, seria um sucesso pelas duas razões já citadas: a elogiabilidade do uso do sarcasmo como forma de obtenção de afeição e a notabilidade decorrente da ousadia do empreendimento.
No entanto, essa estratégia, da maneira que se apresenta, está fadada à banalização, porque logo ela seria notada por outras equipes publicitárias não-pioneiras, perderia a força da ousadia que lhe caracterizava e viveria portanto do moderno apelo emocional da ironia e sarcamo, que por fim se banalizaria. Qual o sentido então de mudar as diretrizes da publicidade com um conceito fadado ao fracasso em curto prazo? Nenhum, eu diria. Nada que valesse a pena ser escrito, pelo menos.
Dessa forma, não há merecimento de risco, já que publicidade não é de graça. Ninguém está disposto a pagar por experimentos. No entanto, é possível evoluir a idéia de tal forma que ela se torne viável. Pensarei a respeito, porque tenho que escrever algo conclusivo e concreto sobre o assunto e terá que terminar sendo classificado como merecedor dos textos que lhe foi concedido.
Mas antes de concluir este presente artigo, já defendendo a causa e me contradizendo com o final do penúltimo parágrafo anterior (auto-referência comanda!), muito dinheiro pode ser rendido de campanhas e conceitos passageiros. Haja visto fenômenos da música pop e a Bola Maluca do Gugu. Mesmo com o inevitável final da banalização, o conceito, que passo a chamar agora de Publicidade de Auto-sabotagem, há de render frutos suficientes para suplantar por muito o investimento no experimento.
Em uma postagem futura, tocarei novamente na auto-sabotagem, e introduzirei o unrelated teasing.

Classificados

Procura-se líder carismático com disposição a ser ícone da próxima revolução cultural e que tenha afeição a ciência e desenvolvimento humano.
Tratar diretamente comigo. Caso alguém conheça, indique-me. Há um manifesto em construção à espera de um profeta.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Publicidade

Eu sustento a opinião que a publicidade é uma entidade cansada. Por mais inovadora, moderna e vanguardista que pareça uma campanha publicitária, ela se baseia nos mesmos preceitos há milhões de anos. Falar bem do que se deseja vender e se fazer notado. Uns perguntarão "sim, mas qual é o problema?". Possivelmente nenhum. Eu simplesmente estou cansado da mesma coisa. A questão me parece tão notável que não passou desapercebida.Enquanto eu não discordo de que uma campanha publicitária deva atingir de fato um nível de notabilidade. No entanto, chego pedantemente a discordar da autopromoção como mecanismo básico ou vital de uma campanha de sucesso. Pedantemente porque não sou da profissional, atuante ou simpatizante da área, mas sim um entusiasta da descrição de sistemas. É preciso também atentar para a diferença de conceitos entre divulgação e autopromoção, onde a primeira se refere ao fazer ouvir-se e a segunda ao realçar as próprias qualidades. Me referi portanto somente a falta de modéstia daqueles que anunciam.
A autopromoção, por assim dizer, sempre me soou como a coisa mais cínica do mundo, mas de fato ela funciona. Para muitos casos sim, já para outros, é questionável. Se eu vejo a propaganda de um tênis na TV, eu escuto eles dizendo o mesmo discurso "esse aqui é o melhor". O nome da marca ficará gravado na minha mente e eu lembrarei dela quando for comprar meu tênis. Obviamente eu vou preferir ela a uma que eu nunca tenha ouvido falar, assim que a mente humana parece funcionar, vai-se entender por que. Eu me conheço o suficiente para detectar, no entanto, que a minha escolha não teve relação alguma com o fato de eles terem se declarado melhores, mas sim com o fato de eu ter ouvido falar da marca. Digo mais até. Você cria involuntariamente uma espécie de laço afetivo a essa entidade. Discorrerei mais tarde sobre o tema e anoto aqui algumas palavras chaves para poder recuperar a linha de raciocínio quando em um próximo texto eu continuar desenvolvendo minha argumentação: prestar satisfação; sarcasmo; publicidade direcionada; grupos sociais; autoflagelação e sugestionabilidade; experimento.
Acompanhem os próximo episódios desta série, você pode ser um dos primeiros a ler sobre a nova Propaganda.
Aproveitando o mesmo espaço físico, mas mudando totalmente de assunto. Sou um defensor do uso correto da língua portuguesa, mas discordo das regras vigentes de colocação de pronomes oblíquos átonos. Acho que são de um péssimo apelo estético. Enquanto uma mesóclise é, às vezes, muito agradável de ser escrita, pronunciada ou lida, em nem todo caso onde ela é obrigatória ela assim o é. O mesmo eu posso dizer sobre a maioria das ênclises, que seriam bem melhor reescritas como próclises, se aproximando da nossa forma de falar. A mensagem é: livre escolha para a colocação do pronome oblíquo átono!

segunda-feira, 14 de setembro de 2009

Mesma tecla

Batendo mais uma vez na mesma tecla, eu estava me atualizando hoje depois desse fim de semana e fiquei sabendo da morte recente, aos 95 anos, no sábado dia 12 de setembro, do agrônomo Norman Borlaug. Piadas profissionais à parte, Borlaug era um brilhante pesquisador e humanitário.
Os resultados das suas pesquisas em patologia de plantas e genética foram muito importantes para desenvolver a produção agrícola toda ao redor do mundo. Num mundo pós-guerra, sofrendo o problema da super população e assolado pela fome crescente, suas pesquisas renderam resultados que se estima terem salvo mais de 200 milhões de pessoas (!!!).
Obviamente ele fez mais do que Michael Jackson por todos nós, mas nem por isso dezenas de milhares de pessoas compareceram ao seu velório. Mas assim que é. Enquanto nossas estrelas forem alegorias culturais e não gente que realmente faz a diferença, nossos filhos seguirão por trilhas egoístas onde não ajudarão muito o mundo evoluir. Nossos valores estão equivocados. Nada contra Michael, gosto das músicas dele. Só acho que o mundo deveria parar para chorar também quando uma grande figura científica e humana como Borlaug nos deixa. E também tantos outros que muito realizaram e realizam, mas que não obtiveram o mesmo reconhecimento do nosso Norman, que já não é muito comparado ao que merece.
Eu, portanto, em nome de todos que compartilham uma opinião semelhante a minha, presto homenagens a essa grande figura. E a todos que decidiram tomar o mesmo caminho altruísta e pensamento coletivo. Aqueles verdadeiros merecedores de caminhar sobre tapetes vermelhos.

sábado, 12 de setembro de 2009

Versos livres

Só para pagar um promessa
Que eu devo ter feito sob efeito etílico
Dada minha revolta por este tipo de construção
Por não querer dizer nada uma linha abaixo de outra
Escrevo agora esses versos livres.
Ah, alemã, vós me pagais
Mas para respeitar a linguagem poética
Usei de uma metáfora anedótica a sua alcunha.
Outros não entendereis o que digo
Principalmente sob estas silepses,
Mas tal é minha discórdia quanto aos versos
Que não posso escrever sem queixar-me.
Com falta de clareza e desestrutura
Auto-referências e apontador recursivo, eu sigo,
Com figuras de linguagens para me justificar.
Mas como bom experimentador,
Testo minha hipótese a partir de breve,
De que a cada oito palavras que se seguem
Pode se adicionar uma nova linha
A clareza da construção continuaria a mesma
E terei motivo para gabar-me
A partir então do próximo verso então
Escrevo livremente e prosadamente sob tais regras e
Sobre o texto final aplicarei minha teoria e
Com esperança ela se mostrará válida. Ficaria orgulhoso
De ser tão confuso quanto Hofstadter e sua
Lei. Só mais a próxima frase e encerrarei
E por fim o resultado checarei, qual será
O modulo 8 que o derradeiro verso aguarda?
Isso é ironicamente uma dúvida para mim, mas
Uma mera questão de observação para o que
Lêem pacientemente a estes versos livres.

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Teimosia e Disparidades (título sugerido)

O poder de uma opinião é muitas vezes tão forte que a avaliação de um critério totalmente relativo é observado com uma convicção de uma verdade absoluta.
Por exemplo, brega-style é horrível. E repare que eu não usei nenhuma construção respeitosa e relativista como "eu acho que brega-style é horrível". Muitos discordarão de mim, mas ainda sim eu não consigo levar uma opinião como essas a sério. Mas esse tipo de música só existe pra me deixar fulo. Obviamente consigo conviver. Caso contrário, eu estaria preso. Provavelmente.
A teimosia com a qual as pessoas defendem suas convicções sob domínios relativos é intrigante. Como alguém pode ser tão ferrenho defensor de algo que não tem absolutamente (pun intended) nenhuma medida?
Um fato interessante é que as pessoas que mais possuem e esbravejam convicções das coisas que elas não podem ter certeza são as que mais são ouvidas e seguidas. Muitas vezes, é claro, as opiniões são díspares, então formamos partidos e damos a eles os sentidos de nossas vidas. Alguém que se apega a uma idéia é, por assim dizer, vantajoso sob os parâmetros daquilo que buscamos aqui. Mesmo as correntes de pensamentos mais absurdas, se defendidas calorosamente, agrupará algum número de indivíduos que abraçam a causa.
Mas voltando às disparidades e partidos. Pessoas apegadas às suas idéias geralmente encontrarão oposição de outras na mesma situação, mas com direcionamento oposto. Isso se deve a incrível diversidade que existe entre todos nós. As brigas e disputas geralmente se dão exatamente por isso. Mas tenho duas observações quanto a isso.
A primeira é que geralmente nos apegamos a causas egoístas, que independente de estarmos corretos ou não, ou se é uma questão mensurável nesse sentido, são causas que nos favorecem. Sem críticas pessoais de minha parte. A segunda é que arrisco dizer que 99,9% da vezes uma briga se trata de um evento com muita teima de cada uma dos lados, mas que nenhum dos lados não tem nada a se basear do que uma ética questionável, algo sem qualquer conclusão absoluta.
Fico feliz porque sinto que voltei ao começo dos meus textos, onde a desestrutura é notável. Nos meus últimos textos eu estava procurando demais e desnecessariamente ser claro.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Sonhos

Não relativo ao sono, é claro.
Eu costumava e ainda costumo ser saudavelmente sádico. Vou lhes confiar um antigo sonho que eu tinha.
Quando eu tive meus primeiros contatos com Pitágoras e esses outros pensadores da antigüidade, eu percebi como a memória deles sobreviveu depois de todos esse séculos. Comparando com outras figuras milenares que ficaram eternamente famosas pela sodomia (Herodes) ou promoção da violência (Átila), ou pelos dois (Alexandre, o Grande), decidi que a forma mais nobre de ser lembrado por milênios é a produção científica para o bem da humanidade.
Por isso, eu costumava sonhar em ser um cientista e um dia inventar/descobrir algo revolucionário, mas de propósito geral o bastante para dentro de algum tempo virar assunto de ensino médio. Então, um certo aluno preguiçoso, como qualquer um daqueles pertencentes a maioria, na véspera da prova final da última repescagem pra não ser reprovado, sente-se obrigado a finalmente abrir pra dar uma olhada no livro. De repente, ele vê meu nome lá no livro dizendo "Victor Hugo inventou esse negócio...". Então o aluno pragueja para si "Que filho da puta! Inventou essa parada só pra EU estudar". Se eu tivesse a onipresença e pudesse escutar o pensamento dele, eu regozijaria por dentro. Eu haveria chegado ao meu objetivo.

Linda história. Mas me desviei do caminho do meu sonho, já há algum tempo, por duas razões. A primeira é que eu notei que eu não tenho muita vocação pra cientista, pelo menos não do tipo que inventa/descobre algo revolucionário. O segundo é que hoje não existe tanta coisa revolucionária a ser descoberta e ainda seja trivial o suficiente para virar assunto de ensino médio. Claro que não estou desincentivando, tem muita coisa nova por aí a ser desenvolvida, mãos à obra.
Enfim, mas fico feliz por ter recentemente voltado a dar um passo na direção certa. Torço pra que dê certo.

segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Algoritmos gulosos

Em Ciência da Computação, um algoritmo guloso é usado em problemas de otimização. A idéia é ir em direção à solução ótima global fazendo escolhas que parecem serem as melhores no momento, no âmbito local. Muitas vezes acontece de eles encontrarem uma boa solução ou mesmo a ótima em algumas instâncias de certos problemas. No entanto, isso não é sempre verdade. Enfim, não que isso concerna ao assunto sobre o qual eu quero falar agora.
Essa coisa de tradução sempre me incomodou. Arrisco que em algum momento do passado, um matemático foi altruistamente traduzir para o nosso lindo Português um artigo sobre conceito que acabara de ser descrito. Obviamente esse matemático tinha algum problema referente à sua lista mental de pecados capitais e sua devida tradução para o idioma britânico. E foi assim que hoje, na terrinha, conhecemos Greedy Algorithms por Algoritmos Gulosos. Deixe eu atentar pro fato que, no inglês, os pecados capitais da gula e avareza (ganância) são respectivamente glutonny e greed. Ou seja, alguém por lá decide chamar um conjunto de algoritmos de gananciosos e o sujeito aqui resolve traduzir para gulosos e o termo pegou!
O pior de tudo é ter que ver um(a) professor(a) da universidade que você estuda, numa aula sobre Prim ou Dijkstra, fazer mímica de menino comendo papa quando vai falar sobre algoritmos gulosos. Em falar nisso, tenho que lembrar de escrever em breve sobre sugestão subliminar. Enfim, isso me aborrece. Talvez o tradutor original tenha achado politicamente incorreto a tradução livre do inglês para ganancioso, mas sua falta de hesitação me livraria da imagem do menino comendo papa.

domingo, 30 de agosto de 2009

Pra que serve logaritmo?

Muitos usam a justificativa da busca pela felicidade para serem vagabundas. Eu pessoalmente odeio esse tipo de pensamento. Não porque eu não ache que a gente não possa buscar seu lugar ao Sol, mas porque tem gente que acha que está no mundo para consumir tudo que ele tem a oferecer. Tudo bem se você acha que essa coisa de estudar, trabalhar e ganhar dinheiro uma bitolagem imposta pelo nosso sistema, nossa organização social. O que eu acho inaceitável é que a grande maioria das mesmas pessoas que criticam isso se acham concedidas do Direito Divino (!) de aproveitar o logro da civilização.
Vou me deixar mais claro, apesar de isso não ser uma constante. Você é um ser humano, nasceu e cresceu numa sociedade que se preocupa em correr cada vez mais rápido para acompanhar o mundo. Toda essa cobrança é realmente aborrecedora e, sob alguma reflexão, também sem sentido. Então você decide não fazer parte disso. Você decide que o importante é aproveitar o máximo da vida e aproveitar as possibilidade que ela oferece. Até aí, eu também acho que você chegou numa resolução bastante satisfatória.
Mas voltando a minha linha de raciocínio original, se você quer abdicar das responsabilidade que o sociedade exige, o mesmo deveria se dar para o que ela produz. O que eu mais vejo por aí é gente com um discurso bonito e aplaudido sobre Carpe Diem, mas não quer bater um prego numa barra de sabão! Multidões de pessoas inconsequentes que se negam a estudar, trabalhar, ajudar as pessoas, só pensam em si próprias, só vêem os seus próprios umbigos. Mas mesmo assim eles querem telefone celular, querem seu carrinho, Playstation 3, querem roupas da moda, tomar sua cerveja/whiskey, escutar sua banda preferida, comer fast-food, plano de saúde etc. Acontece que todos esses bens são fruto da nojenta sociedade bitolada e exploradora.
Um que se encaixe nessas características muitas vezes tem um discurso hipócrita sobre como cientistas são idiotas ou loucos que só vivem para estudar. Ou como alguém que trabalha duro não pode aproveitar a vida. Ou sobre como logaritmo não serve pra nada na prática. A verdade é que serve, sim. Muitas coisas belas são feitas com isso. Por exemplo, para existir seu celular bonitinho que você gosta de ficar mostrando pra seus amiguinhos como é legal, algum tempo atrás algum cientista "otário" estudou a teoria dos números complexos para desenvolver a eletrônica.
Enfim, é comum para quem não quer fazer parte dessa Máquina Social, usufruir do seu produto e ainda ter a ousadia de criticar quem está nela. E é por isso que sou irredutivelmente um crítico desse tipo de gente, que infelizmente não são poucos.
Enfim, me chamem de ser humano amargo por causa desse texto. Mas chega uma hora que um homem tem que dar à Máquina o que ele suga dela. As grandes melhoras na qualidade geral de vida das pessoas vieram e continuarão a vir da inovação tecnológica, das revoluções culturais favoráveis à educação e de toda pessoa que contribue imperceptivelmente, fazendo a roda girar. Enfim, a humanidade vai seguindo. Ainda teria muito a escrever das minhas convicções pessoais sobre o tema (por exemplo uma análise histórico-filosófica sobre o Trabalho), mas encerro esse post já longo citando Dan Quayle: "The future will be better tomorrow".

sexta-feira, 28 de agosto de 2009

Determinismo

Eu acredito no determinismo. É meio contraditório continuar mesmo sabendo que existe algo por trás da sua cognição e decisões. Sua personalidade é um produto dos pequenos componentes que lhe compõe. É tudo mecânica quântica (ou qualquer outro sistema que o rege). Isso nos leva a alguma discussão existencial e/ou ética. Se alguém te dá um tiro, ele pode alegar que é culpa das suas moléculas, tudo culpa do meio. É uma bela desculpa pra se ausentar de responsabilidade pelos atos. No entanto, da mesma forma, podemos culpar o mesmo determinismo pela nossa ânsia de punir pelos atos que consideramos incorretos. Essa regra pode se estender facilmente pra toda a situação e nos justificar indefinidamente contra a realidade desoladora do determinismo, mas não seria uma auto-enganação? Apesar de a auto-enganação ironicamente poder ser justificada também da mesma forma apelativa, ainda sobra uma ponta de questão não-respondida. Será?

Aviso ao amigo Bolinha, que se a linha opinativa continuar a mesma, serei obrigado a censurá-lo em breve. E ainda digo pra botar na conta do determinismo.

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

Marca moral

De alguns dias pra cá, eu tenho pensado que ser mentiroso teria valido a pena. Eu estou pagando o preço da minha tranquilidade por ter falado a verdade, por ter me negado a usar uma falsidade que nunca seria detectada. Com o coração na mão o tempo todo, mas tentando transparecer. De toda forma, eu ainda pretendo continuar assim. Confio que isso ainda vai me premiar um dia, mas desejaria que fosse em breve. O tempo é um inimigo nessa hora, principalmente quando você é intimado a ser um mero observador.

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Título novamente em construção

Achei engraçado eu não ter com o que nomear um post meu anterior. Percebi que para muitos deles no futuro, eu também não vou saber nomeá-los. Usei o recurso da auto-referência para nomer este espertamente, mas seria maçante eu continuar usando a mesma estratégia continuamente no futuro. Por isso, estive pensando em bolar uma solução científica para esse problema. Uma primeira e ingênua abordagem seria usar descaradamente a expressão regular "Título [novamente] em construção" para todos os textos de informação dúbia. Uma função de avaliação ideal (oracle(post)?) iria nos mostrar que isso é tão assintoticamente maçante quanto usar do recurso da auto-referência citado inicialmente.
Uma segunda tentativa seria estender o título com um contador. Ex: "Título [novamente] em construção 2". Essa abordagem já se prova mais poderosa do que a anterior, pois pode ser usada como ferramenta para o blogueiro e para o leitor, permitindo estes terem uma estimativa do número de posts presentes no blog sem necessidade de contagem. Claro se dada a relação de posts com título ou não. No entanto, essa alternativa se mostra falha devido a constante evolução de perícia do escritor, que seria eu. O tempo escrevendo amadureceria minhas idéias, e com o tempo me seria cada vez mais fácil escolher um título adequado. A função de número de posts atitulados pode ser aproximada a uma curva logarítmica. Evidências me fazem acreditar que a assíntota horizontal é a constante 34. Num momento bem no futuro, tentarei dar um título a algum post dúbio e esbarrarei no problema de rolar páginas antes para descobrir qual era o n anterior haja visto que a frequência é descendente. No tempo infinito, eu precisaria rolar infinitas páginas para isso! Inviável...
Uma terceira e mais construtiva abordagem seria definir o título com alguma idéia curta, auto-contida e com a qual simpatizo, mesmo esta não tendo relação direta (ou indireta) com o conteúdo abaixo. Dessa forma, consigo escrever duas idéias soltas no lugar de uma, que apesar de não passar de uma heurística, é uma idéia agradável. Pois está será a abordagem utilizada até segunda resolução e este é a priori o último post com título contendo auto-referência.

No mais, fiquei feliz recentemente em saber que já tenho leitores. E que pretendo fazer, por pedidos encarecidos, alguma tentativa (antecipadamente malograda) com versos livres num futuro breve.

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Sanidade

Há algum tempo atrás eu tinha convicção que a sanidade mental era um estado de consciência puramente controlável. Em outras palavras, você só ficava doido se você se deixasse. Hoje em dia, eu vejo que não é por aí. Infelizmente, eu até diria. Um pequeno abalo nas emoções te levam como um tolo a pensamentos e ações ilógicas. Juntamente com o efeito degradativo do tempo sobre o nosso sistema nervoso, acho inevitável a lucidez não se esvair (esvairir?) num certo momento do tempo. Algumas pessoas tem a sorte de se irem antes que esse processo começa, mais sorte tem ainda as que se vão lúcidas mesmo depois de muito tempo. Para estas, imagino se é produto de uma auto-disciplina e fixação à sua própria identidade, ou simplesmente uma sorte maior do que aqueles que chegam ao final da vida sem reconhecer seus pares. No entanto, e eu não sei dizer por que, nem me arrisco com qualquer teoria, nenhum efeito é tão devastador à longo prazo a lucidez como o conhecimento.
Bem, eu ainda torço pra que minha convicção do passado seja verdade. Apesar de a experiência de passar duas horas debaixo do Sol e ter surtos com outras perspectivas sugerir o contrário. 3º post, homenagem ao meu amigo Lucas.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Título em construção

Tem hora que você realmente perde o controle da situação. Antes de entrar em desespero, é recomendável se acalmar e retomar as rédeas. É muito forte o laço de tomar pra si a responsabilidade pela felicidade de alguém. A auto-consciência dos defeitos me faz achar que eu não sou apto para a tarefa. Em um mundo onde o sentido da vida é simplificado a uma busca por felicidade pessoal, me impressiona a ousadia das pessoas em carregar essa responsabilidade, sendo ela primordial, pois a gente está falando de um vida. O homem (espécie) é adorável nesse sentido, entretanto, inconsequente.
Não sei em que momento da história a felicidade virou o carro-chefe da civilização. Esse Elixir, dizem que por muito poucos provado, não tem um estado permanente na alma humana. Sempre somos absorvidos por um novo anseio, uma nova insatisfação. É uma conclusão tão simplista quanto a que devemos ser felizes. Tanto melhor, o mundo não tem tempo pra parar e rever seus conceitos, não mais.
Concluindo, felicidade pessoal é, independente da nobreza da busca, egoísta. Certamente não é algo para se repreender. Infelizmente no mundo, isso é muitas vezes o suficiente uma desculpa para destruir e magoar. Aquele velho papo do limite de cada um termina onde começa o do outro. O lado bom é que a maioria das pessoas ainda concorda intuitivamente que a felicidade deva ser compartilhada, o que faz o mundo um lugar, no final das contas, bom.
É requerido do leitor a capacidade de captar a intenção do autor em meio a um texto desconexo. Obviamente, isso abre margem pra todo tipo de interpretação, o que é bom.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Apresentação

Por que desestrutura? Bem, nem todo mundo tem o dom da coesão textual. Sei que todo mundo fala que é importante essa coisa de texto que apresente seu conteúdo de maneira direta, clara e estruturada (se possível). Devo concordar inclusive, mas nem todo ele precisa disso e eu não estou falando da redação do ENEM. Não precisa disso aquele que não necessariamente deseja comunicar, mas brota simplesmente da vontade de escrever.
Como os pensamentos que vem à tona à mente e não obedecem a qualquer estrutura. Muitos deles se perdem e eu fico imaginando quanto do conhecimento humano se esvai juntamente porque nós não deixamos registrados as nossas idéias fisicamente efêmeras. É chato inclusive perceber quanto eu estou pensando agora e não consigo a tempo passar tudo pra cá. Uns vão reparar que as idéias escritas aqui não terão relação direta com o que foi escrito imediatamente antes.
Nem todo mundo nasce com o dom da poesia. Apesar de não acreditar nessa coisa de dom, acho mais fácil me expressar e me justificar dessa maneira. Talvez o meu anseio por escrever fosse melhor provido pela poesia, mas com a má-fluência que eu tenho com esse tipo de construção, isso me limitaria de expressão. Como opinião pessoal, com o início do Modernismo, eu não vejo mais por que poesia.
Enfim, só pra um apresentação menos abstrata, alguma informação pessoal do autor, que acontece de ser eu: sou um defensor da Ciência, não somente como um meio, mas como um fim. Adoro auto-referência e uso abusiva e/ou inoportunamente. Mesmo pra sarcasmo. Gosto de gente que sabe que o homem já foi a Lua e, (a parte interessante) indepentente de ter ido ou não de fato, sabe também o que isso significa. E leio www.xkcd.com regularmente e devo linká-lo sempre que a situação permitir.
Ou seja, sem reclamações sobre coesão e/ou coerência do que eu escrevo. Espero que meus pensamentos encontrem os de alguns que eventualmente lerão isso. É um prazer dividir o que tenho a escrever, tenho esperança que adicione algo a alguém. E vou parar por enquanto de auto-referência, isso fica cansativo com o tempo.

Até.