Enfim, o post de hoje não é sobre charutos, no entanto. Eu sou de criação católica. Minha mãe é religiosa, mas meu pai ateu. Por muito tempo, também segui a tradição católica e, até meados de minha adolescência, frequentava a missa. Felizmente, aos meus olhos, fui agraciado com clarificação e hoje estou livre desses pensamentos. A parte interessante é que, apesar de minha mãe notar claramente que não preservo nenhum costume católico, eu nunca falei com ela sobre isso. Acho que seria uma conversa infrutífera e desconfortável para ela, que tanta esperança depositava na lealdade do seu filho perante seu amado Pai etc. Não que ela fosse realmente ficar desapontada com isso. Ela casou com um homem ateu, é capaz de conviver. Mas é curioso como mesmo eu nunca tendo dialogado sobre isso com ela, estou me sentindo totalmente confortável escrevendo isso em local público (leia-se este blog). Inclusive livre para ela e toda minha família, quase todos religiosos, lerem. Provavelmente porque tenho certeza que não lerão.
Mas diferente do que você possa pensar, eu não abdiquei ao Catolicismo em favor de crenças similares, sejam evangélicas, Mesa Preta, Xangô, Islã ou adoração ao Belzebu. Minha clarificação veio por meio da Ciência. Eu vejo que minha educação religiosa teve um efeito positivo sobre mim. Carrego valores de respeito ao próximo, bom convívio, gentileza e misericórdia. Só essas virtudes não tem nenhuma relação com alguma entidade divina que tem uma certa mania de querer ver pênis circundados. Eu acho que poderíamos ensinar as nossas crianças daqui para frente um caminho do "bem pelo bem" e não por medo de punição, de queimar no Inferno.
"Bem pelo bem? Não existe uma coisa dessas", reclamaria alguém (se eu tivesse leitores). Eu, sabiamente, como o velho sábio Shitashi, concordaria com você. Não existe uma explicação partindo da própria virtude que justifique a ação da virtude. Por isso que admiro o ensinamento de Confúcio num dos volumes dos Analectos:
"Eis por certo a máxima da bondade: Não faças aos outros o que não queres que façam a ti." (Analectos XV, 23)
Isso, a elementar Regra de Ouro, que negligenciamos dia após dia. Essa é a coisa mais básica de todas para uma sociedade harmoniosa. Essa lição, diga-se a verdade, é transmitida de forma semelhante em muitas das religiões (incluindo as principais), mas é ofuscada e até contrariada pelas suas outras alegorias arbitrárias (leia-se Batismo, 72 virgens no Paraíso etc...), que terminam minando sua credibilidade ante uma mente verdadeiramente crítica. A mente crítica deve perceber os fatos e colher a verdade deles. Deve distinguir o que é, do que apenas lhe foi dito. Dessa forma, por meio dos fatos e da Ciência, chegar finalmente a conclusão sem viés sobre o tema das divindades: é totalmente inconclusivo. Essa é a minha resolução, é o que me faz poder dizer que hoje sou um agnóstico. Mas o fato de a resolução ser minha, não quer dizer que é um "ponto de vista". É uma conclusão, que qualquer mente crítica e sem viés chegaria. Repare que ninguém está dizendo aqui que não há nada sobrenatural por aí fora, que não existe alguma Providência ou algo que zele por nós. Só está sendo dito que a existência é meramente especulativa. Não há evidências físicas ou arqueológicas que comprovem a intervenção em nosso plano de qualquer força autoconsciente sobrenatural. [sarcasmo]
Eu acho que todo mundo é livre para acreditar. Há uma corrente no agnosticismo dos que, mesmo admitindo que seu sentimento é infundado por teses, prefere ainda ter fé. Mas antes de você achar que é um agnóstico e não sabia, procure ler mais um pouco sobre o tema. Principalmente porque se você quer ser chamado assim, você deve negar o conhecimento teológico. A única coisa que você crê é que a questão é inconclusiva, por isso você se abstem de uma posição. Eu pessoalmente sou de outra corrente, um agnóstico ateísta. Apesar de eu não saber de nada da resposta, tenho convicção (essa sim é pessoal e particular) de que divindades não existem. Pelo menos não
Por fim, apesar de tudo, as religiões, arbitrárias como elas são, ainda tem um papel importante na manutenção da ordem social. Mas eu realmente acho triste ver que nós precisamos muitas vezes de um totem de madeira pra andar na linha.

mas o que isso tem a ver com uma porra de charuto... e cubano ainda mais... :P
ResponderExcluirheheheheh
brincadeira, cara... bom texto...
huehuaeheuah boa vitinho
ResponderExcluirmas é assim mesmo
do mesmo jeito q ninguem é obrigado a acreditar em deuses ninguem é obrigado a acreditar na verdade.
até isso requer um equilíbrio
a busca pela verdade é muito subjetiva, fria e calculista.
tem q ter cunhão pra aguentar
fora q é sempre bom ter gente acreditando em mentiras pq se eu nao me dar bem como programador, eu viro pastor e saio metralhando, rodando q nem um pião, soltando hadouken e criando musiquinhas em nome do senhor... como diz Jessier Quirino "Quem acha besta não compra cavalo."
Muito interessante, me fez lembrar a filosofia prática de Benedictus de Spinoza.
ResponderExcluir(se eu tivesse leitores) hauhauhauahua
ResponderExcluirÓtimo texto, nem sabia que meu primo, além de ser um menino aplicado nas ciências, também teria um grande senso crítico para espiritualidade e outras coisas coisas como charutos cubanos.
ResponderExcluirParabéns
Tiago Queiroz Rocha