É fantástico de como as pessoas procurar prestar satisfação às outras do que elas consomem. Quero dizer, muitas vezes consumimos determinado bem de uma determinada marca para ostentar uma imagem perante os pares. Às vezes para não parecer tolo, às vezes para lubrificação social. O fato é que as pessoas sentem que há uma cobrança sobre a qualidade do que se tem e qualidade é associada à imagem. Duas perguntas. De onde parte a cobrança? E será que as pessoas se importam mesmo com a imagem ou a própria cobrança, onipresente e sem origem certa, que os faz cobrarem transitivamente?
Mudando de assunto. Como eu falava num texto anterior, autopromoção, diferente de divulgação, não é um requisito estritamente necessário da publicidade. Pausa para apedrejamento. Tomando a próprio benefício o simpático e envolvente apelo do sarcasmo, é possível direcionar para certos grupos, públicos-alvos, de maneira eficiente uma propaganda bem sucedida à base de auto-rebaixamento. Falar mal de si propriamente. A campanha teria a primeiro momento, uma grande visibilidade pelo seu cunho desafiador e quebra de paradigma. Direcionada a um público-alvo capaz o suficiente para detecção da ironia do conteúdo, seria um sucesso pelas duas razões já citadas: a elogiabilidade do uso do sarcasmo como forma de obtenção de afeição e a notabilidade decorrente da ousadia do empreendimento.
No entanto, essa estratégia, da maneira que se apresenta, está fadada à banalização, porque logo ela seria notada por outras equipes publicitárias não-pioneiras, perderia a força da ousadia que lhe caracterizava e viveria portanto do moderno apelo emocional da ironia e sarcamo, que por fim se banalizaria. Qual o sentido então de mudar as diretrizes da publicidade com um conceito fadado ao fracasso em curto prazo? Nenhum, eu diria. Nada que valesse a pena ser escrito, pelo menos.
Dessa forma, não há merecimento de risco, já que publicidade não é de graça. Ninguém está disposto a pagar por experimentos. No entanto, é possível evoluir a idéia de tal forma que ela se torne viável. Pensarei a respeito, porque tenho que escrever algo conclusivo e concreto sobre o assunto e terá que terminar sendo classificado como merecedor dos textos que lhe foi concedido.
Mas antes de concluir este presente artigo, já defendendo a causa e me contradizendo com o final do penúltimo parágrafo anterior (auto-referência comanda!), muito dinheiro pode ser rendido de campanhas e conceitos passageiros. Haja visto fenômenos da música pop e a Bola Maluca do Gugu. Mesmo com o inevitável final da banalização, o conceito, que passo a chamar agora de Publicidade de Auto-sabotagem, há de render frutos suficientes para suplantar por muito o investimento no experimento.
Em uma postagem futura, tocarei novamente na auto-sabotagem, e introduzirei o unrelated teasing.
domingo, 20 de setembro de 2009
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ResponderExcluirquando tu fala de público alvo inevitavelmente, não me pergunte pq, me vem a cabeça "o povão"(axo que ainda nao sei pensar em propagandas pra "high society"..So sad!)! o óbvio é que grande parte do povão se impressiona mais com as propagandas de sempre as novelas de mocinho e mocinha(diga-se de passagem, não há nada melhor para a propaganda que novela das 200h!), os produtos em promoção em balaios "por apenas R$4,99"! A propaganda eh oq eh, pelo menos na minha opnião.
Mas a questão que eu queria falar na verdade quando menciono o povão, é que o povão pode não entender esse tipo de propaganda! E não vejo isso como uma coisa boa. uma propaganda deve existir para atingir todos os públicos, independente se eles tem condições ou não de consumir este produto. Claro que excluo dessa generalidade produtos inacessiveis tambem para parte da "high society".
Mas enfim, não estou mais conseguindo raciocinar direito (me deram um puxão de orelha por fazer críticas construtivas!=X).
No mais deixo registrada aqui minha simpatia (ou seria empatia?) pelo sarcasmo nosso de cada dia e por estes textos cheios de...humm, alguma coisa revolucionária!
Sempre bom!
xP
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Ronaldo!
ResponderExcluirÉ apenas uma questão de... de... degustação!